Alone Together: Capítulo 3

Capítulo 3 – True Companions

Turkle inicia o capitulo descrevendo o cão robô AIBO. Com aparente autonomia e capacidade de desenvolver personalidades distintas, a depender do modo como amadurece, o AIBO surpreende muitas pessoas.

A autora sugere que o robô é um brinquedo capaz de alterar o modo como refletimos sobre a vida: “a questão aqui não é se as maquinas podem ser feitas para pensar como pessoas, mas se as pessoas sempre pensaram como maquinas”, diz Turkle.

Os primeiros a reconsiderar essa relação foram as crianças. Ao considerar o AIBO um “tipo de vida” sem um cérebro real, mas “real o suficiente em sua existência”. A autora compara os sentimentos das pessoas com os dos robôs, pontuando que os sentimentos podem ser espontâneos ou programados, mas que ambos carregam os mesmos sentimentos.

SPARE PARTS

Turkle ressalta que o AIBO, assim como um cão, precisa de cuidados e demonstra personalidade de acordo com o que recebe de seu dono. Tal capacidade, além de moldar o robô ao seu dono, tem auxiliado o autoconhecimento; moldando também as pessoas, a partir da compreensão de que elas interagem com alguma coisa.

Parte do desenvolvimento de um indivíduo é o amadurecimento de suas relações, complexificando-as. Aprende-se a tolerar as desilusões e ambiguidades, aceitando a complexidade do outro. Na relação com um robô faltaria alteridade e, sem ela, não acontece a empatia. Então o que se estabeleceria seria uma relação entre um narciso e um self-objeto.

A autora conclui o tópico destacando a importância das relações entre pessoas para o desenvolvimento da reciprocidade e empatia nas crianças.

GROWING UP AIBO

“Como é viver com um AIBO?”, esta é a questão inicial da autora que neste tópico descreve seu método de pesquisa (diários dos robôs). O primeiros apontamentos dos diários (com crianças menores de 4 anos) mostram tentativas de categorizar as origens de um AIBO; em seguida, crianças de 8 anos tentam diferenciar o AIBO de outros animais de estimação. Apesar de acreditarem que o desenvolvimento sentimental de um Aibo seja uma questão de tempo assim como de um hamster. Um robô seria vivo o suficiente para ser um companheiro verdadeiro.

Segundo a autora: “o fato de que o AIBO pode desenvolver novas habilidades é muito importante para as crianças; isso significa que o seu tempo e ensino fazem a diferença”.

Ao comparar o robô a um urso de pelúcia as crianças destacam que os “sentimentos” de seu ursinho vem do seu próprio cérebro, enquanto que o AIBO “tem sentimentos próprios”. Um AIBO não apenas guarda memorias e experiências, mas cresce e se “desenvolve” junto com a criança.

FROM BETTER THAN NOTHING TO BETTER THAN ANYTHING

Os animais de estimação têm sido vistos como bons para as crianças, por ensinarem responsabilidade e compromisso, entretanto o AIBO isenta da responsabilidade.

As crianças sentem-se envolvidas com seu AIBO, mas ao mesmo tempo confortáveis por ter certa flexibilidade na responsabilidade pelo fato de um AIBO não adoecer ou fazer sujeira.

A autora levanta outros pontos intrigantes na relação das crianças com os robôs em suas próprias palavras: “AIBO não tem realmente sentimentos” e em seguida diz “AIBO realmente não gosta do meu amigo Ramon”. As crianças acabam tendo dificuldades em definir o robô quando as ideias em questão são contraditórias, a exemplo de vida e morte ou sentimentos reais (verdadeiros) e programados.

Os fortes sentimentos que os robôs provocam nas crianças podem ajuda-las numa melhor compreensão daquilo que está em suas mentes, mas um robô não pode ajudar as crianças a entender o significado por trás dos sentimentos provocados.

A autora destaca que o AIBO emociona as crianças enquanto companheiro, mas não se torna um amigo.

SIMULTANEOUS VISIONS AND COLD COMFORTS

Turkle inicia o tópico mostrando que mesmo para uma adolescente, consciente que um AIBO é um robô, torna-se difícil não percebe-lo como um animal de estimação biológico por suas emoções aparentemente reais.

A inteligência artificial é, frequentemente, descrita como arte e a ciência para as maquinas fazerem coisas que seriam consideradas inteligentes se feitas por pessoas. Contudo, estamos chegando a uma definição paralela de “emoção artificial” que consistiria em maquinas expressando coisas que seriam considerados sentimentos de pessoas.

Mesmo para alguém com entendimento dos detalhes técnicos do funcionamento de um AIBO não há influencia na relação afetiva estabelecida. Um robô pode se tornar um companheiro melhor ou igual a uma pessoa ou animal de estimação ou até mesmo preferível, principalmente quando algumas de nossas conversas não interessam aqueles que estão a nossa volta.

Turkle cita exemplos de adultos que poderiam preferir a companhia de um robô e argumenta sobre a dependência que uma relação sem riscos pode causar. Quando alguém se acostuma a uma companhia sem exigências, como de um robô, a vida com pessoas pode parecer esmagadora.

A autora conclui levantando questões a cerca da imprevisibilidade proposta pela robótica, mas que por vezes acaba retornando a formatos pré-sugeridos ou “feitos sob encomenda”. Uma relação que se configuraria num “porto seguro em um mundo inseguro”.

 

Karla Cerqueira

é mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, na linha de pesquisa em Cibercultura. Possui Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atuou nos setores de criação da Agência Versa e da empresa DP&P Comunicação Visual. Tem interesse nos temas: Interações Sociais Online, Tecnologias Digitais, Performances e Imperativo da Felicidade. (Lattes)

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