Alone Together – Capítulo 14

Capítulo 14 – The nostalgia of the Young

No décimo quarto capítulo do livro, Turkle sobre o uso constante da conversação escrita através dos dispositivos móveis. É possível ver jovens andar pelos corredores de suas escolas enviando mensagens de conhecidos on-line que nunca vai encontrar. Percebe-se uma sensação de estarem mais vivos quando conectados e desorientados e só quando saem de suas telas. Alguns vivem mais de metade das suas horas de vigília em lugares virtuais. Mas eles também falam saudosamente sobre cartas, reuniões face-a-face, e na privacidade de telefones públicos.

O fenômeno do texting é muito sedutor. Ele faz uma promessa que gera sua própria demanda. A promessa: a pessoa que você texto receberá a mensagem em questão de segundos, e estando ou não disponível para a conversação o destinatário será capaz de ver seu texto. Pode gerar uma pressão por se estar sempre conectado, como apontaram alguns jovens na pesquisa de Turkle.

Os jovens sabem que quando eles se comunicam por mensagens instantâneas, eles competem com muitas outras janelas na tela do computador. Eles sabem a pouca atenção que estão recebendo justamente por darem também pouca atenção àquelas mensagens instantâneas que recebem. Temos aqui uma aversão ao prazer de atenção total, cobiçado e raro. Esses jovens na verdade cresceram com os pais que falavam em seus telefones celulares e verificam suas mensagens enquanto caminhavam com os filhos pelo playground.

Esses jovens são dessa maneira vistos como aqueles que associam a tecnologia a uma atenção compartilhada; esta geração tem experimentado algo novo. Anteriormente, as crianças tiveram que lidar com os pais no trabalho, com os amigos, ou com outras possibilidades. Hoje, as crianças lidam com os pais que estão fisicamente próximos mas mentalmente em outro lugar. Trata-se de um hábito que perpassa gerações, não apenas um problema específico da idade do jovem que, com o passar do tempo, ele vai superar.

É comum ouvir as crianças, a partir de oito anos de idade até a adolescência, descrever a frustração de tentar chamar a atenção de seus pais “multitarefa”. Agora, essas mesmas crianças são inseguras sobre ter atenção um do outro. Ao mesmo tempo, o fato de precisar ser textual os diálogos, muitas vezes nos dispositivos móveis, tornam o processo ágil e faz com que se perca uma complexidade inerente a um diálogo que envolve sentimentos. Por outro lado, o dispositivo de comunicação móvel – em mãos – faz com que os usuários fiquem tranquilizados quanto ao seu estar no mundo; sem estes aparelhos eles se sentem fora de controle da situação. Muitos jovens relatam ser a maneira mais eficiente para se contar algo que passaram aos seus contatos.

Nesse uso contínuo do texting, há um sentimento de nostalgia com relação a uma atenção mais focada que as pessoas possuíam. Como no ato de escrever uma carta a alguém ou mesmo um e-mail; ambos requerem uma atenção e um esforço para se dizer algo com um pouco mais de cuidado. Ainda, nas cartas o fato de ser algo palpável foi relatado como importante pelos entrevistados da pesquisa de Turkle. Herb diz que você pode tocar as cartas e isto é realmente importante; “e-mails são apagados, mas as letras ficam armazenados em uma gaveta. É real; é tangível. Online, você não pode tocar a tela do computador, mas você pode tocar a letra” (p. 271).

Esses jovens estão pedindo tempo e tato, atenção e rapidez. Eles imaginam viver com performances menos consistentes. Eles também são curiosos sobre um mundo onde as pessoas lidavam com o tangível e faziam uma coisa de cada vez. Isso parece irônico pois eles pertencem a uma geração que é conhecida, e tem sido comemorada, por nunca fazer uma coisa de cada vez. Porém, o texting é também uma prática que demanda muito tempo de atenção, mais do que apenas construir um perfil em um site de rede social.

Nesses perfis, os jovens relatam também uma ansiedade ao postar coisas sobre si mesmo que eles não sabem realmente se são verdadeiras. Uma explicação para isto ocorrer é o fato de que que as coisas expressadas on-line afetam a maneira como as pessoas tratam eles no dia-a-dia. As pessoas já se relacionam com eles baseado nas postagens feitas no Facebook, por exemplo. Brad, um dos entrevistados, diz lutar para ser mais “ele mesmo”, mas isso é difícil. Ele diz que, mesmo quando ele tenta ser “honesto” no Facebook, ele não pode resistir à tentação de usar o site “para buscar uma impressão certa” (p. 273).

Devido à sua centralidade para a vida social, o passo mais decisivo a se fazer caso não queira lidar com essas ansiedades é sair do Facebook. Alguns, como o Brad, estão esgotados pela pressão por uma performance. Alguns dizem parecer cruéis, pois essa ambiência digital suprime inibições saudáveis. Outros dizem ter perdido contato com seus amigos “reais” por passarem horas mantendo contatos com aqueles contatos dos sites de redes sociais.

Ao final desse capítulo, Turkle problematiza a opinião de alguns entrevistados e especialistas da área, por acreditarem que a nova cultura da conectividade oferece um refúgio digital. Os adolescentes descrevem seus telefones como seu refúgio. A exemplo de uma entrevistada, ao perceber seu celular como “a única zona individual, só para mim” (p. 275). Ao mesmo tempo, a possibilidade de contato continuo assusta um pouco, a ponto das pessoas se sentirem sufocadas e, em certas ocasiões, não portarem smartphones. Como se existisse um temor de ser facilmente alcançável devido à ubiquidade desses aparelhos.

Para aqueles altamente conectados, pode haver dúvidas (sobre a vida como uma performance, em perder algumas pistas da interação face-a-face), mas não há o prazer da companhia contínua. Para quem não está ligado, não pode haver uma solidão estranha, até mesmo nas ruas de sua cidade natal.

Texto: Vítor Braga

Claudia Galante

É mestre pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Especialista em Marketing pela FAE (PR) e graduada em Comunicação Social pela PUC-PR. Atualmente atua no departamento de comunicação social do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Camaçari. Tem experiência na área de Comunicação e interesse nos seguintes temas: mídia, democracia, cibercultura e interações.

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