Alone Together – Capítulo 12

Capítulo 12:  True Confessions

A investigação desse capítulo se situa no patamar dos sites de confissão. Segundo a descrição da autora, a ideia geral desse tipo de ambiente é que pessoas possam postar, anonimamente, algo de natureza confessional e, a partir de então, verificar respostas possíveis em torno daquele segredo publicado.

Turkle considera que, nesses sites, as pessoas podem assumir posições experimentais e, assim, expressar-se mais livremente. Contudo, faz uma observação mais uma vez baseada nas dualidades entre real e virtual. Para a autora, as confissões realizadas face a face podem apresentar algo de desaprovação por parte dos interlocutores. A desaprovação não é algo necessariamente ruim, e inclusive pode fazer parte da manutenção das relações. “E se uma confissão presencial se depara com críticas, nós temos alguma base para avaliá-la”, diz. Mas Turkle acha que nada disso se dá quando as confissões são feitas para estranhos.

Por um lado, os sites de confissão parecem ter algo interessante quando observador de um posto de vista de “ventilação”. Por essa perspectiva, os indivíduos liberam maus pensamentos ou sentimentos ao se exporem para pessoas que não conhecem – prevalece aí a ideia de que manter dentro de si aquilo que faz mal obviamente não lhes fará bem. Mas Turkle faz uma advertência: há sempre a possibilidade de se conversar com bots e, portanto, há também a chance de considerarmos que sejam boas companhias. Para a autora, nós estamos sempre “pedindo menos das pessoas e mais da tecnologia” (p. 231).

O capítulo, no geral, apresenta alguns exemplos em torno dessa prática. Há aqueles que acessam sites confessionais para buscar uma companhia inexistente. Outros simplesmente acessam por conta da novidade em geral. Alguns alegam conseguir aprender algo quando observam as discussões em torno de determinados problemas ou situações. De qualquer forma, Turkle faz observações interessantes sobre o quão as opiniões alheias podem ser cruéis ou ainda quais processos psíquicos estão envolvidos no processo de confissão. Há, de sua parte, a preocupação de que tratar essa dinâmica de maneira distinta de uma terapia. Do ponto de vista da Psicologia, parece ser uma preocupação adequada.

Por fim, a autora realiza uma forte defesa em torno das comunidades e do senso de proteção e pertencimento, considerando-as “lugares em que a gente se sente seguro o suficiente para fazer o bem e o mau” (p. 238). E sublinha: sites de confissão não são comunidades.

Texto: Paulo Victor Sousa

Claudia Galante

É mestre pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de pesquisa Ideologia, Comunicação e Representações Sociais. Especialista em Marketing pela FAE (PR) e graduada em Comunicação Social pela PUC-PR. Atualmente atua no departamento de comunicação social do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Camaçari. Tem experiência na área de Comunicação e interesse nos seguintes temas: mídia, democracia, cibercultura e interações.

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