Abrindo a caixa-preta do TEMPO, ou as coisas do tempo e o tempo das coisas

Desde sua infância na Alemanha, Holger Müller inquietava-se com uma questão que sempre foi de grande relevância para a ciência: o que é o tempo?

A questão conduziu Müller, hoje professor assistente de Física da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a uma maneira radicalmente nova de medir o tempo. Aproveitando-se do fato de que, na natureza, a matéria pode ser uma partícula e uma onda, ele descobriu uma maneira de explicar o tempo contando as oscilações de uma onda de matéria – a frequência da onda da matéria é 10 bilhões de vezes maior do que a da luz visível. “Uma rocha é um relógio, por assim dizer“, comenta o cientista.

Recentemente, em artigo publicado na Science, Müller e seus colegas da Universidade de Berkeley descrevem como contar o tempo usando apenas a onda de matéria de um átomo de césio. Eles referem-se ao método como o relógio de Compton pois baseia-se na frequência de onda de matéria de Compton.

“Quando eu era muito jovem e lia os livros de ciência, sempre me perguntei por que havia tão pouca explicação sobre o que é o tempo”, afirma Müller. “desde então, eu sempre me perguntei, ‘O que é a coisa mais simples que pode medir o tempo, o sistema mais simples em que possamos sentir a passagem do tempo?” Agora nós temos um limite superior: uma única partícula maciça é suficiente “.

Sem dúvida, os avanços e novas inferências sobre “tempo” nos conduzem a ampliar nossas questões de pesquisa em diversas áreas do conhecimento e estabelecem cada vez mais, novas fronteiras com outros campos da ciência, promovendo novas questões e novos diálogos entre as disciplinas.

Estaríamos diante do tempo das coisas?

Conheça um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido por Müller e seu grupo de pesquisa: Müller Group.

Ana Terse Soares

Ana Terse Soares é graduada em Comunicação Social e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (2013) na linha de Cibercultura. Atualmente integra os Grupos de Pesquisa em Interação, Tecnologias Digitais e Sociedade (GITS) e o Analítica: Crítica de Mídia, Estética e Produtos Midiáticos, ambos na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre Performances Musicais através de Hologramas e seus interesses debruçam-se, principalmente, sobre os seguintes temas: Comunicação e Tecnologias Digitais, Cultura Digital, Redes Sociais, Produção de Presença e Materialidades da Comunicação, Arte e Tecnologia, Música e Virtualidade, Experiência Estética e Holografia, Performances Musicais e Tecnologias Digitais, Digital Bodies, Performers Virtuais.

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One Comment
  1. boa dica e reflexão, Terse. vale também situar o Muller em uma timeline do próprio tempo na física, como forma de verificar ‘o lugar de fala’ que ele próprio ocupa. melhor dizendo, com relação ao tempo como pêndulo do Einstein e à ‘flecha do tempo’ do Prigogine (ambos Nobel), qual a perspectiva que se apresenta a partir da concepção do tempo enquanto frequências de ondas?

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