A exposição precoce de imagens de crianças nas redes sociais

É cada vez mais recorrente a exposição de imagens de crianças através de perfis de redes sociais e diversas outras ferramentas on-line utilizadas pelos pais. Apesar de ser maravilhoso registrar, acompanhar e compartilhar as etapas e momentos interessantes do desenvolvimento dos filhos é imprescindível que os pais tenham bastante cuidado com o tipo de fotos ou vídeos que publicam na rede, pois corre-se o risco de que outras pessoas venham a fazer um mau uso desses conteúdos.

 

Recentemente, uma mãe postou no Youtube o vídeo de sua filha, que aparenta ter em torno de 4 anos, dançando um hit do momento, de uma música com uma coreografia hipersexualizada, que chegou a ser acessado por mais de 25 mil usuários, que compartilharam o conteúdo em diferentes redes sociais. Nos comentários abaixo do vídeo, alguns usuários expressam sua graça, bem como alguns (poucos) questionam a erotização da infância. Porém, o que gostaria de colocar como reflexão é se a divulgação deste conteúdo pode ser prejudicial para esta criança.

 

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Art. 241 -A) é crime oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou Internet, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente, sendo esta considerada uma violação de direitos de seres em condição peculiar de desenvolvimento. Os pais podem não estar intencionalmente promovendo conteúdos que causem algum constrangimento ou exposição para a filha, entretanto, ainda que não sejam produzidos para esta finalidade, estes podem ser divulgados em sites de pornografia infantil por usuários mal intencionados.

 

Com isso, é fundamental que os pais busquem orientações sobre a possibilidade de utilizarem recursos mais seguros, como comunicadores instantâneos ou programas de vídeo conferência para compartilhar imagens de seus filhos com familiares e pessoas do convívio próximo, pois, nesses ambientes é possível enviar conteúdos diretamente para usuários de suas próprias listas.  A ideia não é deixar de utilizar estas ferramentas, mas sim realizar boas escolhas para a segurança e privacidade das crianças.  Alguns programas de proteção de dados (criptografia) também podem evitar roubo e vazamento destes conteúdos.  Além disso, é importante refletir sobre a perenidade desses conteúdos na rede. Uma vez que se publica algo na Internet, é muito difícil que isso venha a ser removido completamente da rede, já que fotos, vídeos, textos e etc. podem ser gravados e compartilhados. Desta forma, é importante que os pais pensem sobre o fato de que, daqui a alguns anos, seus filhos podem ter essas imagens expostas e não se sentirem confortáveis com isso. Será que é correto expor a imagem de uma criança sem que ela tenha autorizado isso? Talvez seja interessante refletir sobre como é possível garantir o protagonismo infantil neste contexto.

Bianca Orrico

É psicóloga, graduada pela Universidade Salvador. Atua na Safernet Brasil em um canal gratuito que oferece orientação para esclarecer dúvidas, ensinar formas seguras de uso da Internet e também orientar crianças e adolescentes e/ou seus próximos que vivenciaram situações de violência on-line. Tem experiência em acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Realizou pesquisas sobre adolescentes, redes sociais e tribos urbanas.

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6 Comments
  1. Bianca, o seu texto me remeteu a dois episódios. 1) um comentário feito por Raquel Recuero no #SIMSOCIAL2012 que tratava exatamente sobre essa questão. Segundo a pesquisadora, antes a gente queria esconder dos álbuns aquelas fotos de “nós-crianças” no peniquinho ou com a cara lambuzada de sopa de abóbora! Agora está tudo disponível para o acesso de qualquer um. 2) A vida de Sasha, filha de Xuxa. A menina nasceu exposta, teve seu parto filmado e veiculado em rede nacional e hoje “proíbe” o pai (segundo uma matéria recente) de falar da sua vida para a imprensa. Não é muito difícil pensar em um debate/embate familiar entre a menina, seus pais e parentes mais próximos. Fazemos hoje, mas não sabemos nem mesmo como os nossos filhos encararão essa exposição no futuro. E nem sobre que parâmetros seremos julgados por eles. Já que a memória digital, como diria Schönberger, não nos deixa esquecer. Abs,

  2. Agradeço pelas contribuições, Alessandra e Mônica!

    É exatamente este o ponto que gostaria de colocar como reflexão: como esta exposição pode ser prejudicial para as crianças e como elas podem, no futuro, não se sentirem confortáveis com estas publicações. Quem não se recorda do caso de Nissim Ourfali?

    • E quando quem comete ” crime são as próprias crianças e adolescentes ” lamentavelmente os brasileiros muitas vezes por sua ignorância trata crianças que muitas vezes de inocentes não tem nada como se fossem vítimas de uma sociedade em que elas são incluídas uma visão totalmente distorcida e maquiada da realidade enquanto em países de 1 mundo crianças de 8 anos que praticam crimes e demonstram através de suas atitudes total consciência de seus atos doentis são algemadas condenadas e presas. Assim como adultos crianças também cometem crimes e segundo a ” CIÊNCIA PROVADA ” já possuem a capacidade mental e intelectual de não só manusear uma arma, matar , roubar , e agredir mais também de cometer crimes virtuais ( não só Fazer apologia deles em suas redes sociais tendo certeza da impunidade ) mais também promovendo eles mesmos a pornografia infantil praticado por eles, promovendo vídeos de sexo explícito , uso de drogas agressões verbais, bullying ” atentado violento ao pudor e até crimes cibernéticos com hackear perfiis , roubar bancos. Aqui nos USA o FBI investigava um crime de roubo de identidade , conta de cartão de crédito e de banco após vários meses de investigação o FBI que no começo das investigações achava que se tratava de um grupo de hackers e de uma quadrilha ficou espantada ao descobrir que quem praticava tais crimes era um menino de 8 anos . A diferença é que aqui não existe destinação de raça , idade , cor , religião , sexo ou condição social cometeu crime e prisão, lei é lei não importa se você tem 8 anos ou 88 anos pena que o Brasil é um país de maioria analfabeta que não tem a percepção da realidade das coisas no Brasil uma menina de 9 anos que faz vídeo transando com 3 ao mesmo tempo e posta na internet é tratada ignorantemente como vítima e não como culpada é autora ” IDADE NÃO DEFINE CARÁTER ” se define-se não haveria adultos com fixa limpa na polícia e crianças com longas fichas criminais até de homicídio é mais de 20 passagens . Apartir do momento que uma criança perde a inocência e passa a se igualar com os adultos no comportamento e na atitude ela deve responder como adulto e ser tratada como tal pelo estado . Criança não é vítima e sim Réu .

    • Se elas se expõem Bianca elas devem sofrer as consequências de seus atos ninguém obriga uma criança a fazer perfil em rede social, ninguém obriga uma criança a fazer vídeo blog e ganhar dinheiro com isso, ninguém obriga uma criança a se expor a mostra fotos sensuais ou mesmo fazer vídeos pornos se masturbando e ignorância achar isso , crianças também sentem desejos sexuais assim com os adultos e demonstram isso com suas atitudes qualquer psicólogo pediatra pode explicar isso melhor do que eu .. Agora oque não podemos é responsabilizar terceiros porque sua filha ou filho resolveu expor isso na internet … Seria algo covarde é irracional .

  3. Interessante alguns raciocínios estupidos e neanderthais dos brasileiros, tudo é uma questão de cultura no Japão se alguém comete um erro , assume esse erro abaixa a cabeça ” pede desculpas e se demite ” na pior das hipóteses comete o o suicidio quando a culpa pelo que fez se torna um fardo pesado . ( a cultura dos japoneses e serem auto críticos ) já no Brasil país da Hipocresia é demagogia do ” faz oque eu digo mais não faça oque eu faço ” é comum as pessoas jogarem a responsabilidade de seus atos e de sua estupidez nas costas de outros atribuindo terceiros exemplo temos vários ? ” se o país está em crise ? A culpa nunca é minha e do governo , se minha filha menor de idade se envolveu com alguém mais velho a culpa não é dela e do pedófilo ou do papai noel ” se eu roubei a culpa não é minha e do político ” se eu postei uma foto nua na internet a culpa não é minha e do facebook ou do WhatsApp. Oque mostra a tamanha covardia por parte dos brasileiros de não aceitarem seus defeitos, e de não querer pagar e assumir as responsabilidade por eles.

    essa é uma característica cultural do brasileiro que qualquer bom psiquiatra e psicólogo nota a quilômetros de distância. Às vezes falta o senso crítico , talvez o capitalismo, o egoísmo e o egocentrismo servem como pólvora para que lamentavelmente casos assim sejam tão comuns no Brasil que tratam ” culpados como vítimas ” e vítimas como culpados ” distorcendo os valores éticos e morais desta sociedade.
    Exemplo disso temos aos montes ” como por exemplo mulheres que vivem no anonimato e na busca doentia para a fama, seguidores e curtidas e até dinheiro vivem em seus blogs , publicando atitudes e comportamentos mais dementes e insanas que um ser humano no alge de sua doença é loucura possa cometer como por exemplo fazer um vídeo comendo fezes , praticando atos libidinosos, bizarros ” digno de uma doença mental e psiquiátrica ” apenas com o intuito de chamar atenção de chocar , de ganhar dinheiro do Google pelo maior número de visualizações ( e obviamente ) algumas plataformas e empresas e redes sociais incentivam tudo isso.

    Isso nos faz refletir e pensar até que ponto vai a ganância e a loucura até que ponto um ” ser humano ” que deixou de ser humano e capaz de ir para alcançar seus Objetivos muitas vezes doentis .

    Depois quando comentem seus atos insanos e são ” criticados ” severamente por aqueles que com toda razão querem fazer da internet um Ambiente sadio e familiar ( pois ninguém é obrigado e ver ou partilhar esse tipo de material ) ao invés de assumirem a responsabilidade por seus atos e responder criminalmente por eles ” se dizem vítima de bullying ou se dizem vítima de perseguição ” se vitimizam em uma posição covarde e atribuem as responsabilidades aos outros ”

    Chegamos a um verdadeiro caos e insanidade mental mais redes sociais e internet ao ponto de que nos dias atuais ” vale tudo ” por audiência vale tudo pra chamar atenção e ter seguidores vale tudo para ganhar dinheiro no meio virtual ” vale até pratica da zoofilia explícita , vale pornografia infantil , vale apologia as drogas, violência e álcool Além do sexo praticados não por adultos mais pelas próprias ” crianças ” as mesmas que depois se dizem vítimas e que se sentem à vontade para fazer oque quiserem porque sabem que o Brasil é uma terra sem leis e tem certeza da impunidade .

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